Não é de hoje que não ouço de ti mais que o silêncio. Fico lembrando de quantas e quais maneiras pronunciávamos os sentimentos mais verdadeiros. E perceber agora que toda aquela verdade era passageira...
De tanto querermos as mesmas coisas, passamos a viver agora em extremos. Fomos em busca de que, então? De nós mesmos ou de nossas conveniências, é o que parece. Cada um para o seu lado.
Eu me via em ti e tu te vias em mim, e todos nos viam um para o outro. E agora, de tão longe que estás, nem nossas sombras se vêem. E quem diria que seria assim?
Mas por que mesmo vêm essas lembranças, quando já aparentamos independência? Quando tu já não és minha insônia? Quando já não são tuas minhas lágrimas? Porque, além do teu silêncio, ouço o que me dirias, a cada passo meu. Mesmo que esses nem sejam mais teus pensamentos. Ainda te dou ouvidos.
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Mesmo que os olhares não se cruzem com nossos corpos lado a lado, mesmo sem cumprimentos... Ainda... É, ainda. E sempre.