quinta-feira, 7 de outubro de 2010

:: O amor urge ::

Amor, tamanho único, sem recortes, sem brilho ou adereços que chamem atenção e permitam escolha por predileção.
Amor que por si mesmo mostra que a sorte de tê-lo não escolhe os mais belos, os mais ricos.
Amor sem cadeia hierárquica que diferencie os pares e sem plano de carreiras que faça alguém querê-lo para prosperar.
Amor com contratempos e intempéries como itens de série.
Amor brotando da terra e dos poros.
Amor que não fala que ama, mas se escreve nas entrelinhas da pauta em que compomos nossa história, sem que ninguém precise ler.
Amor que não precisa que ame de volta para continuar sendo amor.
Amor sem fita métrica para medir largura e profundidade e que não mede esforços.
Amor sem peso, sem pesar.
Amor farto, que não sobra, não perece.
Amor que, multiplicado por ausência, diminui a distância entre duas almas.
Amor com vida própria, que não se materializa em pessoa, animal ou coisa inerte que, mesmo deixando de existir, ainda haverá o amor.
Amor, substantivo coletivo, verbo transitivo, conjugado no tempo eterno.